O Escravo de Capela de Marcos Debrito



Sinopse

Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore.Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em “O Escravo de Capela”, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos. Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte. Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.



Considerações

O Escravo de Capela é um livro bem interessante por retratar a história do Brasil colônia junto de personagens do nosso folclore.
Sabola é um escravo recém-chegado a Fazenda Capela e não aceita o novo modo de vida que lhe foi imposto.  Em seu primeiro dia, o jovem é açoitado, sem nem mesmo entender o motivo por não conhecer a língua de seus agressores.  Nesta ele conhece Akili, que ajuda a tratar de seus ferimentos. Akili é um velho que perdeu o movimento das pernas e possui uma grande sabedoria em como as coisas funcionam na fazenda. Sabola se revolta por ter apanhado e, junto de Akili, começa a arquitetar um plano para escapar de Capela alcançando a liberdade.

“ – Do jeito que o Sabola queria fugir desta fazenda – continuou -, eu sabia que ele ia prestar atenção em tudo que eu tinha pra falar. E que ia fazer as coisas do jeito que eu mandasse. Por mais arriscadas que elas fossem. ” – Pag. 53

O livro é bem forte, mostra a violência física, verbal e emocional que os escravos sofriam e como eles eram tratados com desprezo, sendo apenas uma ferramenta de trabalho. Apresenta a imposição religiosa, linguística e cultural da forma bruta como aconteceu na história.
 “ - O patrão bem sabe que eu não tenho pena de escravo. Só acho que seria mais ajuizado preservar a mão de obra. ” – Pag.14

O livro é muito bem escrito e prende a atenção facilmente. É uma forma de conhecer um pouco mais nossa história, história da África (já que temos menções aos povos e culturas) e perceber como as lendas se modificaram ao longo do tempo e se tornaram “historinhas para crianças”. A forma que foram retardados o “Saci” e a “Mula sem Cabeça” torna a história bem mais assustadora e prende mais a atenção do público maduro.
 Os personagens da história são bem construídos e conseguem passar várias emoções. A maioria deles está apenas preocupado com si mesmo e como pode se beneficiar, ignorando o sofrimento que pode causar aos outros ao seu redor. A quantidade de personagens egoístas chega até a causar uma revolta interior.
O Final é cheio de revelações e reviravoltas, conseguindo ser feliz e triste ao mesmo tempo.

Este definitivamente não é um livro para pessoas sensíveis que se emocionam facilmente. Embora possua um toque de amor, a violência e trechos soturnos é o que predomina durante a leitura.  É um ótimo livro de terror para quem gosta de massacres e vingança e está pronto para ver muita tensão seguido de um derramamento de sangue.
Depois que terminei de ler o livro, a lateral das páginas (que são vermelhas) deram um toque ainda mais profundo. É como se o sangue derramando na história estivesse saindo para fora das páginas.

Sobre o livro
O livro está com uma qualidade muito boa:

  • A lateral das páginas é pintada de vermelho.
  • Páginas  grossas e amareladas. 
  • Há algumas imagens e os capítulos são um pouco longos, porém dentro deles há uma linha preta que separa os acontecimentos. 





| Editora: Faro Editorial
| Autor: Marcos DeBrito
| Páginas: 288
| ISBN:   9788562409899
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1 comentários:

  1. Uau! Por ser um livro para quem se emociona fácil não é para mim. Até porque, esse tema mexe muito comigo. Chorei litros quando assisti 12 anos de escravidão. Enfim, amei a resenha!

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