Noite na Taverna de Álvares de Azevedo



Sinopse
Proporciona ao leitor uma viagem ao mundo fantástico da melancolia e morbidez que caracterizam a época em que viveu Álvares de Azevedo. Numa taverna, um grupo de conhecidos reúne-se para espantar o tédio com o vinho nos lábios e contos macabros afluindo da mente.



Considerações
Olá leitores!
Estou de volta ao blog e hoje trouxe para vocês a resenha de um clássico da literatura brasileira: Noite na taverna.
Esta é uma obra do Romantismo brasileiro escrita por Álvares de Azevedo, que morreu aos 20 anos de idade. As narrativas representam o gosto literário da época e as experiências imaginárias do autor (que era um adolescente). Encontramos diversas referências, principalmente à respeito das inspirações de Álvares de Azevedo. A história se desenrola ao redor de 5 homens em uma noite de bebedeira contando suas histórias de amor e morte, tudo acontece em um cenário macabro que explora vícios, incesto, assassinatos, adultério, necrofilia, traição...
É uma história narrada em 1ª pessoa, pesada e de leitura difícil, porém apesar do desconforto é de fácil adaptação. As principais referências são à filósofos, estudiosos e escritores e que são explicadas no rodapé do livro (para nossa felicidade).


O livro começa apresentando o cenário da taverna onde homens estão conversando e bebendo vinho. Estes homens, então passam a contar suas histórias de vida (todas falam sobre alguma mulher ) e começam uma espécie de competição para ver quem conta a história mais mórbida, começando por Solfieri. 

“-Uma história medonha, não, Archibald? – falou um moço pálido que a esse reclamo erguera a cabeça amarelenta. Pois bem, dir-vos-ei uma história. Mas quanto a essa, podeis tremer a gosto, podeis suas a frio da fronte grossa bagas de terror. Não é um conto, é uma lembrança do passado. ” – pág. 20

A história que Solfieri nos conta é de uma linda mulher que conheceu e de como a retirou de sua sepultura e a levou para sua casa.
Em seguida temos Bertram que conta de uma mulher apaixonada que foi capaz de matar seu marido e filho para ficar  com ele. Bertram também era apaixonado por essa mulher e sofreu quando ela o deixou. Após tentar cometer suicídio (e falhar) ele acaba parando em um navio e passa por algumas aventuras, sendo a final ele cometendo o ato de antropofagia para sobreviver.
"Morrer hoje, amanhâ, ou depois - tudo me era indiferente, mas hoje eu tinha fome, e ri-me porque tinha fome" pag. 42

Gennaro é o próximo a falar, sua história retrata a mulher desejada e a mulher que possuía mas não o satisfazia. Esta parte traz traição e vingança, visto que a mulher desejada era esposa de seu mestre e a mulher que possuía era sua filha.
"E as noites que o mestre passava soluçando no leito vazio de sua filha, eu as passava no leito dele, nos braços de Nauza" pag. 49

Chega a vez de Claudius, esta é uma das partes mais monótonas do livro, o personagem enrola para contar sua história e utiliza uma fala mais poética. Claudius fala como sequestrou a mulher que amava e como esta se negou a amá-lo.
Johann é o último personagem. Sua história é sobre um duelo de vida ou morte no qual se envolveu e ganhou. No bolso do falecido no duelo encontra dois bilhetes e um deles o leva a cometer o ato de incesto, algo que ainda lhe causa arrepios. Após esta história temos uma que não é narrada por nenhum dos personagens anteriores. Temos um cenário onde a irmã de Johann aparece e se vinga do irmão por ele a ter desonrado. Com isto o livro é encerrado.
Noite na taverna é um dos livros que mais gosto. É uma obra que representa claramente a ideia da idealização extrema da mulher amada que acaba em tédio, frustrações e atos de loucura. Traduz perfeitamente o termo “mal do século” devido à sua morbidez, negativismo, desilusões, dúvidas, morte, etc.
É uma história mórbida onde não é possível se apegar aos personagens. Os elementos da segunda geração do romantismo brasileiro é que tornam esta obra marcante e uma leitura que vale a pena.



| Editora: Nova Alexandria
| Autor: Álvares de Azevedo
| Páginas: 88
| ISBN: 9788574922492
Skoob

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1 comentários:

  1. Fabiana!
    Quando não temos 'obrigação' de fazer uma leitura, ela se mostra mais interessante.
    Por que falo isso? Li esse livro 'obrigada' porque estava na grade do vestibular e achei o maior tédio na época. Lendo sua resenha, percebo que é apenas mais um livro da época do romantismo onde as mulheres eram idealizadas e cada um conta sua história, sendo tétrica ou não, mas tem como foco a mulher...
    “Não ganhe o mundo e perca sua alma; sabedoria é melhor que prata e ouro.” (Bob Marley)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de MARÇO, livros + KIT DE PAPELARIA e 3 ganhadores, participem!

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