Filme: Logan: uma despedida!


O personagem Wolverine fez sua estreia cinematográfica em 2000, no filme X-Men, interpretado por Hugh Jackman. Logan é a última participação do ator na franquia dos X-Men. Foram nove atuações num período de 17 anos.
O enredo de Logan foi livremente adaptado da HQ Velho Logan, um arco escrito por Mark Millar e ilustrado por Steve McNiven, publicado na revista Wolverine da Marvel Comics, em Wolverine # 66 a # 72 e Wolverine Giant-Size Old Man Logan, publicados entre junho de 2008 e setembro de 2009.
A história se passa num futuro alternativo no qual a maioria dos X-Men – e dos super-heróis – está morta e os Estados Unidos estão sob o comando de vilões como o Abominável, Caveira Vermelha, Magneto, Doutor Destino e Rei do Crime. Além disso, existe uma gangue de Hulks à solta.
No cinema, a ação se passa em 2029. A população de mutantes foi praticamente exterminada e poucos são os sobreviventes. Logan (Hugh Jackman) está velho e morrendo lentamente. Ele não se recupera com facilidade de seus ferimentos e nem mesmo suas garras são usadas com facilidade.

Logan ganha a vida como um motorista de limusine. Nas horas vagas, visita Charles Xavier (Patrick Stewart), que está doente, sofrendo de uma doença mental degenerativa, e vive escondido sob os cuidados do mutante Caliban (Stephen Merchant, de The Office). Vale lembrar que, em X-Men – Apocalipse, Caliban foi interpretado por Tómas Lemarquis e é um personagem bem diferente do apresentado em Logan.
A rotina será quebrada quando Gabriela (Elizabeth Rodriguez, de Orange is the New Black e Fear of the Walking Dead) reconhece Logan como o herói Wolverine, dos X-Men, e tenta convencê-lo a ajudá-la a salvar sua “filha” Laura (Daphne Keen). Ambas estão sendo perseguidas por Donald Pierce (Boyd Holbrook, de Garota Exemplar, Caçada Mortal e Narcos) e os Carniceiros (Reavers, no original), que trabalham para a corporação Alkali.
O longa-metragem Logan é um bom entretenimento, que finalmente oferece aos fãs do personagem um vislumbre do que poderia ter sido sua “carreira” no cinema. Não é uma obra magnífica e revolucionária, mas é um bom filme, com vários momentos acima da média das películas de super-heróis. Quem queria ver o lado mais selvagem do mutante não ficará desapontado.
O diretor James Mangold eliminou a maior parte dos elementos “coloridos” da história como, por exemplo, os uniformes dos heróis ou vilões. Essa é uma das razões pelas quais a cena final de X-Men – Apocalipse – a referência ao projeto Arma X e Nathaniel Essex, o Senhor Sinistro – ficou perdida.

A premissa inicial deveria mostrar Sinistro como o vilão responsável pelos eventos de Logan, mas, com o rumo decidido por Mangold, o personagem foi substituído pelo Dr. Zander Rice (Richard E. Grant, de Dr. Who e Downton Abbey), uma vez que um inimigo uniformizado como Sinistro destoaria.
Tanto nos quadrinhos, como no cinema, o Dr. Rice é filho de um cientista que trabalhou no projeto Arma X original, responsável pelos ossos de adamantium de Wolverine, e pela criação de Laura, a menina que é conhecida como X-23.
Daphne Keen, que interpreta Laura, é a filha do ator Will Keen e tem no seu currículo a série hispano-britânica The Refugees. Ela e Logan são as peças centrais da película. Na verdade, a garota não é “filha” de Gabriela e tem uma relação genética com Logan.
Para quem não conhece muito o Wolverine, Logan é o nome que ele adotou quando não se recordava de seu passado. É dessa forma que todos se referem ao mutante, embora seu nome verdadeiro seja James Howlett.
Mangold usou o filme Shane, de George Stevens, de 1953, estrelado por Alan Ladd e Jack Palance como referência e metáfora para mostrar o ponto de vista de Logan e sua relação com Laura. É uma decisão curiosa, pois, apesar de Shane ser considerado um grande clássico dos faroestes, é uma obra feita há 64 anos e poucos espectadores vão reconhecer o longa pelas cenas exibidas com Ladd e Palance.

Para quem não conhece Shane, é possível comprar o filme em DVD e Blu-ray, o livro no qual o filme se baseia, escrito por Jack Shaefer, e até um livro sobre a obra escrito pelo crítico de cinema Paulo Perdigão (Shane, editora Rocco, 2002).
Essa referência reafirma a impressão de que Logan é um faroeste disfarçado. A paisagem, com fotografia no Mississippi e no Novo México, também é significativa.
Outra curiosidade – e uma das surpresas de Logan – é a aparição de X-24, personagem que não existe nos quadrinhos.
Nas HQs, Logan teve vários impostores, clones, cópias e sósias, dentre eles o robô Albert (sempre acompanhado pela garotinha androide Elsie-Dee), criado por Donald Pierce. O X-24 do cinema é uma cópia genética.
O combate entre Logan, o Wolverine velho, e X-24, seu sósia jovem é brutal e até surpreende em alguns momentos, mesmo que o desfecho seja previsível para muitos.
Apesar das várias qualidades, Logan não consegue superar alguns dos problemas básicos e formulaicos do gênero dos super-heróis, mas isso não diminui a diversão. E, apesar de Jackman nunca ter usado o uniforme clássico do Wolverine nos cinemas, ele certamente definiu o personagem na telona e conseguiu encerrar sua história com o mutante num ponto alto.




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2 comentários:

  1. To louca pra assitir Logan, mas meu interesse maior ainda é A Bela e a Fera aí vou tentar arrumar dinheiro pra ver os dois hahahah

    Beijos,
    Clarissa do Próxima Primavera

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  2. Bento!
    Que aula, hein? Adorei sua análise.
    Amo os X-Men e meu favorito é o Wolverine e fico bem triste em ver que será o último filme...uma pena!
    Até a música parece de um western e já gostei, agora quero ir assistir o filme a apreciar o sangue jorrando em um cenário bucólico.
    “Não ganhe o mundo e perca sua alma; sabedoria é melhor que prata e ouro.” (Bob Marley)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de MARÇO, livros + KIT DE PAPELARIA e 3 ganhadores, participem!

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