Quadrinhos: Paolo Pinocchio




Olá meus amigos de Praxe, aqui estamos com mais uma resenha sobre quadrinhos mais diferenciados do que estamos acostumados a ver com a Marvel ou DC.

Hoje irei falar sobre Paolo Pinocchio de Lucas Valera, nessa Graphic temos Pinocchio de uma maneira como nunca vimos. Atualmente existem muitas versões do boneco mentiroso para os quadrinhos, todas elas são muito criativas. Desde o Pinóquio caçador de vampiros, Pinocchio Vampire Slayer, de Van Jensen e Dustin Higgins, que mata seus inimigos através da sua estaca-nariz; passando pelo Pinóquio das Fábulas de Bill Willinghan que reclama porque seu corpo, em especial sua genitália, não cresceu e está há séculos preso no corpo de uma criança; chegando no Pinóquio do francês Winshluss, calado, objeto de desejo e bomba atômica, que empresta seu nariz que cresce para práticas sexuais. O garoto de pinho de Carlo Collodi e do filme de Walt Disney, encontra agora sua versão argentina, pelo quadrinista Lucas Varela, também responsável pelo sensacional El Síndrome Guastavino com Carlos Trillo. A versão de Varela traz o encontro de duas das mais populares histórias italianas. A do boneco de madeira em questão e a da Divina Comédia de Dante.

Considerações
Paolo Pinóquio está no inferno e tem de encontrar uma maneira de escapulir daquele lugar, não sem antes acabar com um ou dois demônios. Não sem antes aglomerar almas sofredoras para transformá-las num novo corpo e escapar do caldeirão que os transformará num produto multi-ação que pode ter utilidades variadas, indo desde bronzeador para demônios como tempero de comida. As referências abundam. Existem desde os contos de fadas tradicionais fazendo parte do rol de mentiras que Paolo Pinocchio conta, aos sofrimentos do inferno de Dante com uma roupagem bastante pós-moderna, o Cthulhu de Lovecraft e o quadro Saturno devorando seus filhos, como algumas das referências visuais. Os desenhos de Varela também lembram La ciudad de los pontes obsoletos, do também argentino Federico Pazos, que, sem revelar spoilers, tem uma temática parecida. O álbum publicado pela Editora Zarabatana Books (Mesma do “Bando de Dois”), traz uma compilação de histórias publicadas na conceituada revista Fierro. São várias histórias curtas, que, em sua maioria apresentam várias situações, como as mentiras para as fábulas, os locais dos infernos e as situações que Paolo passa. Levando em conta que a Argentina é um país muito católico, não poderiam faltar todo o folclore e fábulas católicas, como os círculos do inferno, as lamentações, os milagres, e o Limbo, muito bem utilizado dentro de uma comédia ácida e até mesmo “No sense” diga-se de passagem. Paolo Pinocchio é um bom exemplo de renovação de um conto de fadas, que sempre surgira novas versões, cada uma mais interessante e louca que a outra. E como já é de costume da Zarabatana Books o formato é incrível e lindo, dessa vez a capa possui acabamentos brilhosos e folhas full color, a arte não está tão chapada como a editora Fierro, dando um tom melhor para leitura. Altamente recomendável ler e ter em sua coleção.
Bom meus queridos leitores e leitoras por hoje é só, espero que tenham curtido a resenha e fiquem ligados em mais recomendações de séries e livros aqui na Praxe Literária.


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