Guardiões da Galáxia - Filme



Olá amigos de praxe, hoje irei falar sobre mais um filme baseado em quadrinhos, esse título é considerado uma das maiores surpresas dos estúdios Marvel Films. Ele se encaixa no universo da Marvel e também é uma das peças fundamentais para ligar os universos para o filme contra “Thanos”, caso você tenha pensado em Guardiões da Galáxia, a imagem acima já responde isso. Guardiões da Galáxia, é uma produção do Marvel Studios que não se leva a sério em momento algum. Os personagens são totalmente irônicos e ninguém é realmente heroico no sentido estrito do termo – certamente não como o Thor ou o Capitão América, nos outros filmes do estúdio. Detalhes importantes da trama são jogados pelo roteiro, e há alguns momentos realmente bobos. O herói do filme chega a derrubar no chão o “MacGuffin” da história, o objeto mais importante para todos os demais personagens e causador de toda a confusão. De todos os projetos do estúdio, este é aquele no qual os seus realizadores mais se sentiram à vontade para brincar com as convenções narrativas dos filmes de super-herói e do cinema fantástico, e em alguns momentos, até ignorá-las, e o resultado é divertido.
O maior responsável pelo tom do filme é o diretor e co-roteirista James Gunn. Ele começou no cinema trabalhando na Troma, a maior produtora de filmes ”trash” do cinema americano, depois escreveu os filmes live-action do Scooby Doo (!) e a refilmagem de zumbis “Madrugada dos Mortos” (2004) para Zack Snyder. Em seguida, Gunn tornou-se diretor e comandou os irônicos “Seres Rastejantes” (2006) e “Super” (2010). Há um inegável ar meio trash em Guardiões – afinal, é o primeiro filme Marvel com uma participação de Howard, o Pato – e por isso pode-se dizer que se trata do primeiro longa do estúdio com uma pegada mais autoral.
Gunn pegou personagens semi-desconhecidos dos quadrinhos da editora/produtora e fez com eles uma obra que brinca com décadas e décadas de exposição do público ao cinema fantástico, e que se mostra adequada a sensibilidade do cineasta. Assim, temos em Guardiões o centro do filme, o humano Peter Quill (Chris Pratt, divertidíssimo), que foi abduzido da Terra ainda criança e jogado num universo estranho e cheio de tipos perigosos. No início do filme ele rouba uma poderosa relíquia, o Orbe, sem saber dos seus poderes, e começa a ser perseguido. E curiosamente, acaba formando um grupo improvável com outros tipos renegados: a guerreira Gamora (Zoe Saldana), o invocado Drax (Dave Bautista) e a dupla Rocket e Groot, sendo o primeiro um guaxinim falante, armado e perigoso (!), o segundo uma árvore ambulante e consciente (!!), e são dublados, respectivamente por Bradley Cooper e Vin Diesel.
Esse grupo se envolve numa batalha para salvar o universo que envolve quase todos os clichês desse tipo de filme. Os heróis são desajustados e solitários e se odeiam no início, mas acabam constituindo uma “família”; o vilão é unidimensional e tenta se apoderar de uma “super-arma” para executar seus planos; há a prisão e a tradicional fuga… Existe até uma breve cena num bar, e não seria estranho ver os alienígenas da cena da cantina do primeiro Star Wars (1977) aparecendo por lá. Aliás, “Guardiões” também deve bastante ao filme de George Lucas e à trilogia original, com seu clima de faroeste intergaláctico.


De certa forma, é como se estivéssemos vendo um filme estrelado pelo ponto de vista dos alienígenas de Star Wars. Nesse universo não existe a Força, e mesmo que exista, os personagens da história não estão muito preocupados com ela. O maior acerto da produção é o elenco reunido pelo diretor para dar vida a essas figuras: Pratt faz de Quill um aspirante a Han Solo dançarino, com direito a um momento Indiana Jones na cena de abertura. Ele é aficionado pela música pop bobinha dos anos 1980 que sua mãe gravou para ele, numa fita cassete que ele ainda escuta. Para ele, Kevin Bacon e o musical Footloose (1984) são mitos, e é com esse papo que ele tenta conquistar Gamora, vivida com intensidade por Saldana, e pouco a pouco a atriz se torna a nova musa da ficção-científica. Batista, mesmo tendo menos a fazer que os demais, ainda diverte, e o guaxinim Rocket é um achado. Embora seja um filme B em espírito, a produção de Guardiões é totalmente classe A. O design da produção é impressionante, concebendo ambientes como o mundo situado dentro do crânio de um ser extraterrestre ou o mundo asséptico, mas ainda aconchegante de Xandar. Os efeitos de maquiagem e o visual colorido do filme também são superlativos e apostam na tendência de buscar emular o visual dos quadrinhos, algo nem sempre observado hoje – muitos filmes do tipo atualmente procuram um visual mais realista e “sombrio”, o termo clichê da moda. Até o 3D funciona melhor do que nas outras produções do estúdio: a cena em gravidade-zero na prisão e a batalha final se beneficiam da técnica como poucas vezes se percebe nos filmes Marvel.


A caracterização é o ponto alto do filme, mas a trama tem a sua parcela de problemas. Há muito diálogo expositivo para expor uma luta entre raças alienígenas com as quais o público não consegue se importar, e apesar de brincar com os clichês, Guardiões não chega realmente a subvertê-los. Pouco a pouco o filme vai ficando cada vez mais familiar, e o apelo ao público infantil também aumenta, com direito a uma “dancinha” no final. E o tema da família é martelado na cabeça do espectador – ao final, é necessária a união literal dos personagens para salvar a pátria, com todos se dando as mãos… Sutileza não é a praia de Guardiões, e se ela surgisse Rocket provavelmente daria um tiro na cara dela com sua arma.
Todavia, são os interessantes personagens que ficam na memória e eles fazem valer a experiência. Guardiões da Galáxia se mostra um blockbuster diferente, se não tanto na sua forma, pelo menos em “espirito”. A sua mistura de filme trash com clichês da ficção, bem formatada dentro do estilo Marvel, rende momentos de diversão bastante superiores, por exemplo, aos filmes chatos do Thor ou às fracas sequências de Homem de Ferro (2008). No cinema, a Marvel vem se dando bem, mas suas propriedades mais conhecidas já foram exploradas – e vale lembrar, muitos dos pesos-pesados das HQs do estúdio, como os X-Men e o Homem-Aranha, estão nas mãos de outras produtoras. Com Guardiões da Galáxia, eles mostram que é possível se voltar ao grande catálogo da empresa em busca de propostas inovadoras, comandadas por cineastas incomuns. James Gunn e seu elenco não fazem realmente uma space-opera. Ao invés disso deixam a música pop tocar e fazem um filme de uma sensibilidade especial. Outro ponto que vale lembrar sobre Guardiões é que devido ao sucesso tanto por conta da produção quanto pela trilha sonora, teremos uma continuação na mesma pegada do primeiro, que irá estrear 25/04/2017, ou seja se você curtiu tanto assim como eu, está ansioso para Abril do ano que vem, ficamos no aguardo de reencontrar esse grupo maravilhoso de mocinhos e mocinha. Bom galera, espero que tenham gostado e fiquem esperto para mais resenhas de livros, séries, filmes, quadrinhos e games aqui no Praxe Literária.

Trailer


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3 comentários:

  1. Olá Bento, como é de conhecimento publico que eu não tenho habito de ler HQs, como só assisti ao filme não posso reclamar, o roteiro me pareceu bem infantilizado, como tenho uma filha posso garantir que se o intuito era prender a atenção dos menores eles conseguiram.
    Vamos ver como ficará a sequência.

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  2. Olá Aline, esse era um dos intuitos, o publico jovem sempre foi um alvo, porem o filme ficou bem bacana e aberto a todas as idades o que achei brilhante da parte do diretor de guardiões, a sequência promete muitooooo!!!!

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  3. Oi Breno, assiste esse filme quando lançou.
    Ele é bem engraçado e concordo com você sobre o Rocket ser um achado, é um personagem hilário.
    Achei a construção do filme muito boa e estou esperando a continuação para ver no que o grupo irá se meter!

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